Não estou velha
malgrado estes fios brancos
Mas me toma volta e meia
Este temor pela morte
Este medo sufocante de deixar aqui
Tudo isto que hoje me enche a alma
Desta alegria tenra e suave

Para onde iriam meus risos
Minhas viagens por estas terras
Minhas fotografias, quem haveria de ver?
Quem ouviria meu pai,
chamaria a mãe de Maria,
amaria o homem que tenho por meu?

Onde se perderiam
Meu amor, meus versos, meus livros?
A conversa de fim de tarde
À mesa com meu irmão,

meu gosto musical,
meu trabalho,
minhas crenças...
Quem mais poderia chamá-los meus?