... uns passos ...
pra quem vai e pra quem vem
Vejo já nossos passos,
Forasteiros pés na grande feira.
Nós de mãos dadas,
Uma senhora tecendo rede,
O homem vendendo o peixe
Que eu nem sei se tem por lá.
Depois, as mãos soltas:
Escolhem fruta, pão, queijo, farinha.
Tudo o que nos sustente.
Eu pego o vaso de barro,
As flores para por dentro dele,
Um pedaço de chita.
Que também é de se enfeitar
A casa que será nossa.
Não te poderia prender jamais nesta terra, meu bem
Então deixa a saudade aqui e vai
Vai e me redija de lá uns versos
Me faça uma canção
Ensaia aquele solo e volta contente pra me mostrar
Vá
Que te farei também uns versos
Ouvirei nossa canção
E só não tocarei um instrumento
Por constrangedora e absoluta falta de talento para tanto
Vai, meu bem,
Que a vida te chama e eu te espero
No aeroporto, na rodoviária
No cais, no porto,
Na beira da estrada
Na estação do metrô que nós não temos
Vá e volte
E diga que não me deixará jamais
E depois vá de novo
E me encharque de saudade
E me faça mais uns versos
E ensaie uma canção...
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