À MINHA AVÓ
A morte me ronda
A morte e seu cheiro
Seu gosto, seu sabor
Me ronda pela primeira vez em vida
A morte me leva as tardes de domingo
As bolachas de goma
O licor de jenipapo
A morte me encharca os olhos
Me trava o peito
Me arranca os pés cheios de veias
A morte me bate às portas
Da casa dos meus avós
Deixa vazios o quarto e a sala
Arranca da cozinha o cheiro bom do café
A morte leva de mim
A Rosa preferida
Matriarca e anciã
Que pariu todos nós.
1 pessoas se inquietaram:
"...
Eu sempre sonho que uma coisa gera
Nunca nada está morto
O que não parece vivo, aduba.
Oque parece estático, espera"
(Adélia)
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